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Foi na última quinta-feira, dia 24. Tomei um susto com a quantidade de sangue que saía de mim. Era pra ser nada mais que o ciclo mensal, mas consegui a proeza de detonar um pacote de absorventes em menos de 8 horas. E à medida que os minutos passavam – e meu sangue ia embora – fui sentindo-me tão fraca a ponto de não conseguir erguer o braço na minha cama. Junto com o mal-estar veio uma tristeza aguda e angustiada. Um bolo se formou na minha garganta e custou a sumir. Fiquei lembrando desse sonho canalha que tive há algumas semanas. De uns tempos pra cá minha vida deu uma despirocada de 360°. Foi quando minha médica disse que tinha alguma coisa errada com meu útero. Não tinha certeza do que era. Precisei fazer alguns exames e tive que suportar o peso da espera. Quando os resultados chegaram não esclareceram nada. Em setembro vou fazer mais um exame.
Quando o sangramento ficou mais forte, eu estava só. Claro, apesar disso e de todo o meu estado debilitado consegui manter a calma e liguei para minha melhor amiga – minha irmã. Ela quase entrou em pânico; é a única pessoa da família que sabe do meu problema. Pediu pra eu chamar mamãe; chamei, mas só disse que não queria ficar só. Mamãe apareceu cinco horas depois.
Pela primeira vez pensei na possibilidade de morrer; desde que meu diagnóstico havia sido feito, só tinha pensado na possibilidade de não poder ter o meu filho; a morte era uma coisa que nem de longe passava pela minha cabeça. Só que nesse dia... Sei lá... Se for pra morrer agora ou daqui a 80 anos, tudo bem. Não tenho medo (na verdade tenho medo de sentir dor). Mas, sinceramente, eu acho uma tremenda injustiça alguém morrer jovem. Que direito tenho eu de julgar os desígnios divinos? Ok, não precisa jogar um raio na minha cabeça, Senhor. Sou poeira cósmica. Mas não acho justo alguém morrer jovem. Eu quero ter meu filho, eu quero trabalhar naquilo que amo. Eu quero viver mais um pouco.
Escrito por Olívia às 23h42
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Um sonho (parte 2)
Sentei-me na cadeira com ar velhaco e desolado (a cadeira ou eu?). A médica não perdeu tempo. Com o sentimentalismo glacial característico da Medicina, pegou um laser e mostrou-me uns gráficos ininteligíveis. E começou lá o discurso para o qual, definitivamente, eu não estava preparada:
- Bem, Olívia, nós já diagnosticamos a sua doença e não podemos mais perder tempo. Logo você vai estar ótima.
Bebeu um gole d’água e continuou:
- O tratamento vai durar cinco anos; a cada ano faremos uma etapa. Primeiro vamos extirpar um pedacinho do útero.
Gelei, mas continuei firme. Afinal, era só um pedacinho.
- No segundo ano vamos tirar mais uma parte.
Uma ruga de preocupação começou a se insinuar em minha testa.
- E assim vamos proceder até completar o ciclo de cinco anos.
- Não vai sobrar nada? – perguntei num sopro de voz.
- Não – disse a médica, com a certeza que só quem é Deus pode ter.
- E meu filho? Como é que o Lucas vai poder nascer? – minha voz seca denotava uma ponta de revolta.
Minha ginecologista fez uma cara de espanto genuíno.
- Como assim filho, Olívia? Pensei que você tinha entendido que, na sua condição, é impossível gerar uma criança!
Minha cabeça começou a latejar de dor e vi o consultório dar voltas e mais voltas. “É impossível gerar uma criança”. A voz metálica retinia em meus ouvidos. Um zumbido me fez levar a mão esquerda à cabeça, enquanto a direita procurava sustentação na parede; eu tinha ficado em pé para escutar a maior maldição da minha vida, e agora que o chão sumia sob meus pés tentava amparar-me contra a parede verde-água. Fechei os olhos, e a força do meu medo jogou-me no chão.
Quando abri os olhos estava deitada em minha cama, coberta de suor, o coração acelerado. Eram 7 horas. Estava atrasada para o meu trabalho.
Escrito por Olívia às 11h03
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Um sonho (parte 1)
- Senhora Olívia Araujo?
A voz veio longe, muito longe, deformada pelas águas que me cobriam no mar do esquecimento. Eu estava mergulhada lá, completamente esquecida do mundo à minha volta. Sentia a frieza e a fluidez da água passando entre meus braços, pernas e cabelos, e isso me dava um sono tão grande!...
- Senhora Olívia Araujo?
Quase inaudível. Não, não, agora não! Deixe-me ficar aqui! Quero dormir e sonhar com nada! Aqui é tão aconchegante e eu me sinto tão leve! Não, eu não vou! Preciso esquecer...
- Senhora Olívia de Araujo e Silva?
De repente fui arrancada bruscamente do fundo de meus pensamentos vazios. Emergi com tanta violência que pude sentir a pressão marinha esmagando meus ossos. Taquicardia, muita dor de cabeça e um prenúncio de irritação me fizeram sentir que estava de volta à realidade. Irremediavelmente. A voz exasperada da atendente denotava um discreto enfado. Levantei-me devagar, ainda meio perdida, tentando colocar os pensamentos em ordem.
- Senhora Olívia, pode entrar. Consultório 6.
Ignorando solenemente as 150 cabeças que se viravam quase em sincronia para ver, afinal, quem era Olívia Araujo, dirigi-me ao consultório da Dra. Solange Noronha. Hum... Para que era mesmo que eu estava ali? Ah, sim, ia ouvir a sentença mais difícil da minha vida. Ou melhor, já tinha ouvido, semanas antes; agora ia saber como seria executada (a sentença ou eu?).
Entrei no consultório bem arrumado e finamente decorado, esquecendo totalmente a minúscula sala de espera lotada, abafada e sem ar condicionado.
- Bom dia, querida. Como estamos hoje? – perguntou a ginecologista com delicadeza estudada.
- Levando – respondi com descuido estudado.
Escrito por Olívia às 11h00
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blá-blá-blá...
Escrito por Olívia às 12h03
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Oi...
Pois é, este é meu blog que você e toda a torcida do Flamengo podem ver. Nada muito atraente, a princípio, mas vai servir pra eu exercitar mais a prática da escrita; claro, faço isso todos os dias, mas geralmente são textos jornalísticos. Aqui vou poder mostrar a todo mundo que se interessar as coisas que eu só digo para o Gato (meu bicho de estimação para o qual não achei um nome e que às vezes faz de meu analista).
Tava meio sem idéia de que nome deveria colocar neste blog, mas olhei uma pilha de CD's aqui perto e vi o primeirinho, "Fashion Nugget" da banda americana Cake (que, por sinal, é muito legal). Achei a sonoridade do nome bem bacana, e como está faltando exatamente uma semana para meu aniversário já tem uma certa aura de expectativa, contida a muito custo (acho que não vou fazer nenhum bolo; no ano passado eu fiz e as pessoas me deram um "bolo").
Tá, chega de papo furado, odeio falar besteira. Fiz essas palavras bobas só pra abrir meu blog, mas tô com muita dor de cabeça e cólica, morrendo de vontade de só ficar na cama. Acho que vou ter alguma coisa interessante mais tarde. Tchau.
Escrito por Olívia às 11h49
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